Designed by:
Wordpress themes
Web Hosting Services

2008-10-18

O Terramoto

Filed under: Comunicação Social, Última Hora — amcpn @ 23:04

“O terramoto  - é assim que a generalidade dos analistas políticos e financeiros se referem a este fenómeno – que, nas últimas semanas surgiu como uma bomba no mercado financeiro norte-americano e que, em ondas avassaladoras vem varrendo e influenciando os restantes mercados mundiais, vai chegar, igualmente, a Portugal, apesar da pouca expressão do nosso mercado, por mais que alguns dos nossos responsáveis políticos persistam em querer convencer-nos do contrário.
E o terramoto não é tanto a falência de algumas das principais instituições financeiras americanas, mas o facto de as mesmas afastarem, ao que tudo indica, os Estados Unidos do primeiro lugar do pódio das grandes economias mundiais. Efectivamente, este ciclo que o sistema financeiro está a atravessar  - e se manterá, segundo afirmam alguns especialistas, durante os próximos dez a quinze anos – é o tapete vermelho que conduzirá a economia Chinesa ao primeiro lugar do ranking mundial das economias e, por arrastamento,  tornará este país na primeira potência mundial. Resta-nos esperar que os ventos de leste sejam de paz, na nova ordem mundial que se avizinha.
Efectivamente, por melhores que sejam os planos que venham a ser aprovados pelas autoridades governamentais americanas, a liderança dos Estados Unidos como a grande potência financeira está ferida de morte.
Preocupa-me, por isso, a pouca atenção que muitos dos nossos responsáveis políticos estão a dar a esta situação, o que contribui ainda mais para o descrédito do nosso regime democrático, que devemos, a todo o custo, preservar.
Em consequência de atitudes como esta, sou um dos muitos portugueses que acreditam cada vez menos nos nossos dirigentes políticos. Dirão eles que o mal está em nós. De resto, que assim pensam, demonstra-o o facto de, ciclicamente – em 2009, na sequência dos actos eleitorais que terão lugar, seguramente que irão, uma vez mais, fazer grandes exercícios metafísicos, na comunicação social, para encontrar explicação para o elevado abstencionismo do eleitorado – lermos e ouvirmos essas mesmas pessoas discorrer sobre as razões do elevado número de abstencionistas nos actos eleitorais e concluírem, invariavelmente, que a culpa é dos próprios abstencionistas, que trocam o gozo dum dia de praia ou de qualquer outro lazer pelo dever cívico de irem depositar o seu voto nas urnas, legitimando, assim, aqueles que, em geral, durante quatro anos, irão presidir aos destinos do seu país ou, simplesmente, da sua autarquia.
Ora, em meu entender, as razões do cada vez maior alheamento – e desprezo, mesmo -, dos portugueses pelos actos eleitorais é consequência da falta de credibilidade dos nossos políticos e autarcas, decorrente de actos e atitudes pouco nobres ou transparentes, que se vêm acumulando de há uns anos a esta parte.
O regime caído em 25 de Abril era acusado de promover uma ditadura feroz, que não  desdenhava “triturar”, todos os se lhe opunham, ainda que ideologicamente próximos, como foi o caso do General Humberto Delgado – para, apenas citar o mais mediático dos dissidentes do regime - o enriquecimento de alguns, que viviam na opulência, em oposição a uma maioria que se arrastava na pobreza.
Regra geral, os protegidos do regime viviam no luxo e opulência, dando pouca atenção aos valores morais e às exigências cristãs dum pais maioritariamente católico e em que o catolicismo era a religião oficial do Estado.
Foi, por isso, natural e espontânea a adesão do povo em geral ao regime nascente com a dita “revolução dos cravos”, após 25 de Abril de 1974. Fui, desde a primeira hora, um desses portugueses e empenhei, generosamente, alguns dos meus anos na luta por princípios e ideais que acreditava puderem tornar este país no nosso  “pequeno shangri-La”. Todavia, os comportamentos subsequentes de muitos dos nossos políticos, que, talvez por ingenuidade, julgava não serem possíveis no dito “pais de Abril”, depressa me transformaram num dos muitos vencidos da política e descrentes das promessas dos mesmos.
Com efeito,  muitos dos que tinham estado contra a política e as atrocidades do antigo regime, face à degradação crescente do exercício dos cargos pela classe política actual, deixaram de acreditar nos mesmos, o que, em meu entender, está na origem do seu afastamento cada vez maior dos actos eleitorais.
Não tenho “engenho” nem espaço nesta página que me permitam uma grande dissertação sobre este tema. Rematarei dizendo que as muitas faltas de transparência e isenção de titulares de cargos públicos e autárquicos – para não falar dos crimes que lhes são, igualmente, imputados - frequentemente noticiadas na comunicação social levam-nos a este afastamento.
O preenchimento de lugares nos Ministérios e nas Autarquias por familiares dos titulares dos cargos políticos desses órgãos é uma realidade com que há muito somos confrontados e um dos muitos exemplos daquilo que não deveríamos ver.
Gere-se a “coisa pública” como se de uma mera empresa familiar se tratasse, esquecendo os interesses mais elementares dos administrados, que importaria defender acima de tudo.
O terramoto financeiro que vivemos é fruto da ganância sem limite dos tempos que vivemos, fomentada e erigida como sinónimo de sucesso nas nossas mais conceituadas universidades e religiosamente vivida pelas actuais classes politicas e gestores empresariais.
A gestão do Parque das Nações, não constitui nenhuma excepção a esta cultura do endeusamento dos milhões de lucro das empresas. O défice zero da Expo’98 tem sido o grande objectivo das sucessivas administrações da Parque Expo,  por determinação ou com a cumplicidade dos responsáveis políticos e autárquicos, ainda que com sacrifício de alguma qualidade do projecto urbano e da vida daqueles que aqui vivem ou trabalham.
Recentemente, tivemos mais um exemplo claro desta cultura: a decisão de venda da parcela 4.72, onde está construído o Campo de Futebol.
Tal decisão, mereceu, obviamente a nossa discordância.
Com efeito, desde a sua construção pela Parque Expo, empresa que, apesar do seu estatuto de sociedade anónima, é constituída, integralmente, por capitais públicos, o referido campo tem sido utilizado por entidades sem fins lucrativos, e reconhecido, publicamente, como equipamento social público.
E esse estatuto deverá, obviamente, ser respeitado, porquanto a Parque Expo não pode ignorar, que este tipo de equipamento social público é comum às demais urbanizações de grande dimensão, como é o caso do Parque das Nações.

José Manuel Rodrigues Moreno
Presidente da Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações”

Artigo de opinião publicado na edição de 17 de Outubro do jornal Notícias da Manhã, Caderno Parque das Nações

2007-06-19

Notícias da Manhã

Filed under: Comunicação Social — amcpn @ 20:18

Segunda-Feira, 18 de Junho de 2007

“Tanque de lodo” para receber a presidência europeia
Segunda-Feira, 18 de Junho de 2007
Diogo Carvalho (texto)
Luís Brás (fotos)

Entre as queixas e o “mau cheiro”. Entre “promessas” e um “tanque de lodo”. É esta a situação que os comerciantes da zona da Marina do Parque das Nações dizem viver.
Edificada por ocasião da Exposição Mundial de Lisboa (EXPO’98), evento que levou à regeneração de grande parte da área oriental da capital, a Marina seria como que um “porto seguro”, numa exposição centrada no tema “Os Oceanos, Um Património para o Futuro”.
Se por um lado o evento internacional da capital foi um sucesso, o mesmo não se pode dizer da Marina. Problemas de assoreamento e algumas tempestades acabaram por se traduzir num “mar de problemas” para comerciantes e proprietários de lugares de amarração.
Foram esses mesmos problemas que Paulo de Andrade, presidente da Associação Náutica da Marina do Parque das Nações, explicou ao NM. “Em Novembro de 1999, a Parque EXPO substituiu o Quebra-mar flutuante da Bacia Sul por um fixo devido ao mau tempo”. Mais tarde, em Dezembro de 2000, um novo temporal destruiu outro Quebra-mar, desta feita na Bacia Norte. Assim, “a Parque EXPO fez a mesma intervenção que havia feito na Bacia Sul em 1999”.
Ainda assim, e apesar das intervenções realizadas pela Parque EXPO, em Abril de 2002, segundo Paulo de Andrade, “as embarcações foram transferidas para outras docas e a Marina do Parque das Nações encerrou”. Quanto a este aspecto, Paulo de Andrade salienta que a Parque EXPO “paga os alugueres nas outras marinas”.

Governo não é esquecido
Com a infra-estrutura inactiva há cerca de cinco anos, Paulo de Andrade não se conforma com a inexistência de uma obra de requalificação da Marina. “É uma vergonha para Lisboa ter uma zona ribeirinha naquele estado. É inaceitável que um País que vai assumir a presidência da União Europeia [n.d.r. a 1 de Julho], utilizando para tal o Pavilhão Atlântico, tenha uma Marina muito próxima que mais parece um tanque de lodo “.
As críticas de Paulo de Andrade são também o lamento do presidente da Comissão de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações”. Para José Moreno, “é urgente que se faça uma requalificação da Marina, de modo a potenciar a própria zona do Parque das Nações”. As críticas deste responsável estendem-se ao Governo, nomeadamente a Nunes Correia. “Espero que o ministro do Ambiente tenha vergonha quando receber os seus homólogos por ocasião da presidência portuguesa da UE”.

Concurso já foi lançado
Segundo fonte da autarquia lisboeta, em declarações ao NM, o projecto existente para a requalificação da Marina está agora em “stand-by”. “Existe um projecto mas está parado. A comissão administrativa da Câmara de Lisboa não tem capacidade legal para avançar com qualquer projecto para a Marina do Parque das Nações.”
Por outro lado, de acordo com fonte da Parque EXPO, e estando já concluído e orçamentado o projecto para a recuperação da Marina, “os accionistas comprometeram-se a obter, na proporção das respectivas participações, uma linha de crédito de médio e longo prazo até ao limite de 8,8 milhões de euros, para o desenvolvimento do projecto de recuperação da sociedade”. A mesma fonte adiantou ainda que “o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) foi contratado para efectuar a apreciação do Estudo Prévio desenvolvido pelo projectista, nas áreas da dinâmica sedimentar, hidrodinâmica e obras marítimas”. Para além de dar a conhecer ao NM os contornos do novo projecto, a Parque EXPO enumera ainda as intervenções a realizar. “Vai ser criada uma nova bacia de entrada na Marina, provida de comportas de controlo dos fluxos de água e semelhantes, operando segundo um regime ajustado às ocorrências que ocasionam acréscimos de caudais sólidos em suspensão. Na área compreendia entre a actual e a futura boca de entrada será criado um anteporto (…) Paralelamente, serão ainda realizadas obras de beneficiação dos molhes”.
A mesma fonte diz ainda que “o concurso para a empreitada das obras de reactivação da Marina, estando em curso a fase de esclarecimentos das propostas apresentadas. Foi também lançada uma consulta para a dragagem da bacia norte, que se encontra na fase de adjudicação”.

————————–

Titularidade do Capital Social
BCP - 53,74%
Agrupación Guinovart Obras y Serv. Hispana S.A. - 27,8%
Parque EXPO 98, S.A. - 16,35%
Europrojects, S.A. - 1,42%
Catalana d’Iniciatives - 0,3%
S.D.I., Lda - 0,23%
Proinautica - 0,10%
Algeco, S.A. - 0,01%
Nautel - 0,006%

————————–

“Vai fazer oito anos que estou aqui. No primeiro ano e meio isto funcionou muito bem, mas depois os problemas foram-se sucedendo. Infelizmente temos que levar com este tanque de lodo com um cheiro nauseabundo. A Parque Expo diz-nos que as negociações estão a decorrer, mas até agora nada. Com a Marina assim, nota-se uma grande quebra no número de clientes”.
Irene Pereira, proprietária do restaurante
Roda de Leme

“Trabalhei no Parque das Nações durante oito anos, desde 1998, e há mais de um ano abri o meu negócio. A partir do momento em que o espaço se foi degradando muitas pessoas fecharam os seus negócios. Sinceramente, não tenho muitas esperanças. Na Câmara, as pessoas entram e saem e nada se resolve”.
Fernando Cunha,
proprietário do restaurante Tertúlia do Marina

“No final de 1997 comprei um lugar de amarração na Marina do Parque das Nações, mas só podia deixar lá o barco após a EXPO’98. Na altura, paguei 3250 euros que correspondia a 30% do preço total do lugar. Este negócio foi feito com a Marina EXPO, que era a responsável pelo local. No entanto, esta entidade faliu e, como não tenho nenhum contrato assinado, acabei por perder o dinheiro”.
António Ferreira Mendes

Powered by WordPress .::. Designed by SiteGround Web Hosting